Por Marcela Medeiros
celamedi@hotmail.com
Batemos
um papo com o músico, Marcelo Tiradentes, prata da casa em Governador
Valadares. Ele aos oito anos ganhou seu primeiro festival musical e com 34 anos
de carreira nos contou um pouco sobre seus ideais musicais, suas referências,
seu despertar para a música desde criança e a cena musical valadarense ontem e
hoje.
FOCALIZE - Quando
aconteceu o despertar para música em sua vida?
MT- Bem, eu penso que foi ainda no
ventre, minha casa sempre foi musical, meu pai tocava e compunha, e sempre
tinha rodas de seresta em minha casa. Mas a minha memória registra bem quando
eu ainda era criança, talvez com três ou quatro anos de idade, eu adormecia no
colo de minha mãe, ela sempre cantava nessas rodas de seresta e aquilo pra mim
já era confortável, pois eu absorvia as canções com o ouvido colado no peito
dela, era uma conexão direta, visceral, impregnou-se, fui privilegiado.
FOCALIZE - Quais são as suas raízes musicais?
MT- Samba, Choro, MPB, Rock e Música
Mineira (Clube da Esquina).
FOCALIZE - Como você vê o cenário musical de 15,
20 anos atrás e a cena agora?
MT- Olha, vejo com algum saudosismo, não
por conservadorismo ou caretice, mas por ter a certeza de que já fomos
melhores, culturalmente dizendo, qualquer pessoa pensante vai entender o que
quero dizer, quando eu digo isso não é que já tivemos artistas melhores, é que
já tivemos uma nação mais pensante, porque os artistas bons existem em penca,
só está faltando é sabedoria para contemplar isso. O sistema está criando uma
geração adestrada, é a ditadura cultural, insiste em despejar o lixo cultural,
como forma de diversão porque esse é lúdico, impede de pensar, e isso está
ligado diretamente com a política mundial porque informação é poder, e tínhamos
informação através da cultura de massa há 15, 20, 30 anos atrás.
FOCALIZE - Quais os principais nomes da música
brasileira para você e os que mais te influenciam?
MT- Eu poderia ocupar uma página citando nomes,
mas pra dizer alguns, e com toda certeza que serei injusto, pois deixaria de
citar muitos, vou começar com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento,
Chico Buarque, João Bosco (não é o sertanejo hein gente, por favor!), Elis
Regina, Cazuza, Cássia Eller, Herbert Vianna etc.
FOCALIZE - Em Valadares como era o cenário
musical e como você vê hoje dentro da sua perspectiva e cultura musical?
MT- Não é diferente dos outros lugares, é
tudo proporcional, tem um público respeitável, que adora música boa, porém em
lugares grandes, tem bons espetáculos porque em proporção existem mais pessoas
e garante o custo, e como estamos longe do eixo RJ/SP, o custo sobe, e o que
não é de massa fica inviável, e com isso vamos amargurando ausência de bons
espetáculos.
FOCALIZE - Acha que falta um incentivo cultural
em Valadares?
MT - Que há falta de incentivo isso é
certo, os motivos não são do meu conhecimento, não entrarei no mérito da
questão, só lamento muito, pois cidades de menor população acontecem eventos
culturais magníficos, temos uma concha acústica na praça dos pioneiros que está
servindo de albergue ao léu, o maior exemplo de descaso cultural é o único
teatro da cidade, abandonado, inviável, prejudicial à saúde, isso é uma
vergonha.
FOCALIZE - Sente-se valorizado como músico em
Valadares?
MT - Sou extremamente valorizado, não
posso reclamar em nada da minha carreira como artista, tracei uma linha, ando
firme por ela e não me rendo a modismos baratos, não admito conhecer o belo e
sucumbir ao feio porque está na moda, moda pra mim é ser autêntico e ter bom
gosto.
FOCALIZE - Suas expectativas em relação ao futuro
musical em Valadares?
MT - Eu penso que não só em Valadares, mas
em âmbito nacional esse genocídio cultural é muito nocivo, porque veja bem, eu
conheço música boa, não só da minha geração, mas de gerações mais antigas porque
me foi passada pelos meus pais e irmão mais velhos, aí eu temo pelo pior, e
olha que não sou pessimista, sempre penso no melhor, mas o que essa geração
atual passará para seus descendentes?
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