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sábado, 7 de dezembro de 2013

Experiências que somam

Por Washington Bonifácio
washington23.silva@hotmail.com

“Recife: sinônimo de sol, luz e cor. A cidade tem cheiro de rio e som de mar, de muita água em movimento”. Foi assim que começou o texto da reportagem feita pelos alunos do 6º ano do Colégio Imaculada Conceição, em Governador Valadares. São crianças na mesma faixa etária, mas com um grande potencial textual. As cinco “ferinhas” receberam a missão de criar uma reportagem sobre a capital de Pernambuco. Vejam só, alunos de 6º ano, antiga 7ª série, com uma missão tãograndiosa, isso explica o nível de conhecimento dos meninos.

A pesquisa foi feita, mas eles não sabiam como colocar todo o emaranhado no vídeo. A mãe de um dos alunos me ligou pedindo ajuda. Eu, mais do que depressa, aceitei!
Mas, surge aí um desafio: como contar a história de um lugar em que nunca se foi? E as imagens? E as entrevistas? Bom, acabamos dando jeito...

Refizemos as pesquisas e encontramos, na internet, belas imagensda Capela Dourada, Praia de Boa Viagem, Porto Digital, Porto de Galinhas, e foi assim que começamos a montar o texto baseando nas imagens.

Alguns obstáculos foram inevitáveis, pois precisávamos de uma câmera filmadora profissional e um microfone. Um grande amigo, Adalto Lima,me emprestou todo o equipamento quando ficou sabendo do desempenho e do entusiasmo dos alunos. 

Criamos um nome para o programa de sete minutos, montamos um script e fomos para a rua, ou melhor, para a Lagoa Santa. A idéia era parecer que a história foi contada em Recife. Através dos elementos textuais e imagens, os estudantes fizeram uma viagem para outro Estado, conheceram outros costumes e culturas, além de conhecer a labuta que passam os jornalistas (rsrsrs).

Eles ficaram impressionados quando ouviram falar do off e da cabeça, mas a Passagem arrancou maior sofrimento. Oh luta pra decorar!

Foram quase 30 horas de trabalho. Mas, enfim tudo deu certo.

Eu amei a experiência com os estudantes, não deixem de assistir. Para quem nunca fez um VT eles se saíram muito bem!

Obs: Todas as imagens e músicas utilizadas foram retiradas da internet. O vídeo não foi veiculado em canais comerciais, apenas apresentado em sala de aula e postado na internet.


Abaixo entra o vídeo:



sábado, 9 de novembro de 2013

Quem manda é Minas!

Por Renato Lopes
renatoaway@live.com

O futebol brasileiro vive um momento bem diferente do que se vê nos últimos anos, fazia tempo, mas muito tempo, em que não víamos os times de Minas tão em alta.

De um lado o Atlético Mineiro, que com o excelente técnico Cuca conseguiu formar uma equipe que há tempos não se via. Dentro do elenco uma jovem revelação das categorias de base, que de acordo com o técnico da seleção brasileira possui "alegria nos pés", seu nome, Bernard. Ainda na linha de frente, o time conta com Ronaldinho Gaúcho, um verdadeiro maestro, que com passes mágicos e uma visão de jogo rara no futebol vem sendo fundamental para o clube. 

Mas a força do Galo não se faz só no ataque, o time também conta com uma linha defensiva muito boa, e nessa linha está um goleiro que possui nome de santo, e para os torcedores do Galo, santo ele já é. Victor, realizando defesas milagrosas, trouxe junto com esse time que conseguiu reviver o galo forte e vingado como aquele de Reinaldo, Dadá Maravilha, Tião, e claro do mestre Telê Santana, o sonhado título da Copa Libertadores da América, e que agora quer fechar com chave de ouro com o título do Mundial de Clubes que irá acontecer no fim do ano.

No outro lado da lagoa está tudo bem obrigado! O time Celeste comandado pelo técnico Marcelo Oliveira, conseguiu uma verdadeira constelação de jogadores a seu dispor, um elenco de dá inveja, e que a cada rodada do Campeonato Brasileiro vem mostrando ser um time semelhante ao incrível time de 2003, se não ainda melhor.

Claro que para ser melhor que aquele time de 2003 do craque Alex, o Cruzeiro precisa conquistar títulos, e um deles já está a caminho. O brasileirão já está na reta final, e o time com o melhor ataque, e melhor defesa, se encontra em uma situação muito confortável na tabela.

O discurso do time é de que ainda não tem nada ganho, a torcida não quer se manifestar com o grito de "É CAMPEÃO", mas que ele já está preso bem no meio da garganta, isso eu não tenho dúvida.

É quase surreal ver os dois maiores times de Minas comandando o futebol brasileiro, coisa que eu nunca tinha visto (é que ainda sou muito jovem). É incrível ver a imprensa futebolística do eixo Rio-São Paulo, se contorcendo de inveja, e tendo que abrir espaço para os profissionais daqui de Minas, chego a vibrar quando vejo isso acontecer.

Bem fatos são fatos, e o maior deles é que, quem está mandando no país é o futebol mineiro. E espero que o futebol mineiro continue mandando por muito tempo, e se o Cruzeiro mandar um pouquinho mais que o Galo, eu agradeço! 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

(CRÔNICA) Vida de infância

Por Tássia Palmeira
tassia_coelho_@hotmail.com

Na roça é costume se levantar bem cedo. Assim que o galo, presente que ganhei do meu avô no meu aniversário de seis anos, começava a cantoria, eu já pulava da cama. Saia do quarto em direção a um cômodo separado da casa, onde funcionava cozinha de mamãe.

Lembro-me claramente da imagem que sempre via ao chegar à cozinha: Mamãe a beira do fogão a lenha, com um dos pés sobre o fogão, um dos cotovelos apoiado ao joelho e uma das mãos segurando o queixo, sempre pensativa, esperando a água ferver para "coar" o café bem doce do jeito que eu e meus irmãos gostávamos. Eu pedia sua bênção e ficava por ali esperando pela primeira refeição do dia. 

Sentava-me em um banquinho improvisado feito de um tronco de árvore, e ela logo corria na cerquinha feita de bambu, que servia como paredes da cozinha, e pegava um pente para desembaraçar meus cabelos. Era um cuidado de dar gosto! No final, ela fazia duas trancinhas dessas típicas de festa junina, mas, não era para dançar quadrilha, as trancinhas serviam para manter os fios desembaraçados e evitar os temidos piolhos. Depois disso eu saia saltando feito um canguru. Minhas irmãs eram as próximas a passar pelo ritual das tranças.

Lembro-me também que mamãe sempre colocou os filhos em primeiro lugar. Comprava um calçado ou uma roupa para nós e depois, quando fosse possível, compraria algo para ela. Fazia de tudo para nos agradar. Quando decidi sair de casa para estudar, vi o sofrimento e o medo no olhar dela, ficou apreensiva por alguns dias, cabisbaixa. Mas, me deixou partir mesmo me pedindo encarecidamente com os olhos para ficar. Mamãe sempre foi muito carinhosa, preocupada e principalmente protetora. Ah! Mamãe!

Hoje após tantos anos, o espírito protetor de mamãe continua o mesmo, ou até um pouco mais aguçado. Nos finais de semana quando viajo para a minha verdadeira casa, sempre tento acordar bem cedinho e encontra - lá  naquela mesma posição a beira do fogão a lenha.

A cozinha já não é mais a mesma, outra foi construída, agora com paredes de cimento e tijolos e não de bambu. O fogão de lenha também deu lugar a outro, feito de tijolos e revestido de cerâmica. O cabelo de mamãe continua castanho e bem longo, sempre coberto por um lenço. O olhar apreensivo e protetor divide espaço com um rosto um pouco envelhecido, que traz as marcas de uma vida de trabalho na lavoura. O café bem doce acabou de sair, o aroma e o sabor me fazem voltar lá nos meus  sete anos de idade. Depois do primeiro gole, procuro um pente e peço à mamãe que desembarace meus cabelos. E ela logo sorri, solta os meus fios, agora tingidos, e começa. Em seguida as duas trancinhas são feitas com a mesma delicadeza e o mesmo amor dos meus tempos de infância.

sábado, 19 de outubro de 2013

Poetinha Vagabundo

Por Lucy Mattos 
lucy.mattos@live.com



Como tema desta edição escolhi o “Poetinha Vagabundo”, como costumava ser chamado carinhosamente por seus amigos. Minha proposta era escrever uma crônica sobre o escritor/diplomata/cantor/compositor/jornalista/boêmio Vinicius de Moraes. Para me preparar, peguei meus livros e músicas do Poetinha e comecei a me afogar em seus escritos.

É claro que logo me vi naufragada em um sorriso e um sentimento de amor. O motivo é que dediquei as últimas horas do dia a ouvir as mais belas declarações de amor e de liberdade que conheço. Cada letra, cada soneto me remete a uma lembrança, a um desejo e durante alguns minutos posso me imaginar sentada na praia de Ipanema com o Vinicius e meus outros ídolos, como Millôr Fernandes. 

Boêmio, mulherengo e, como ele mesmo se define no “Samba da Benção”: “eu, por exemplo, o capitão do mato, Vinicius de Moraes, poeta e diplomata, o branco mais preto do Brasil. Na linha direta de Xangô, Saravá!“. Esses são somente alguns dos adjetivos com os quais podemos nos referir a esse brasileiro que é tão 'Bossa Nova com uísque'. 

Se Vinicius nasceu dentro da rigorosidade da escola jesuíta, foi com os Pais de Santo que ele se encontrou e, ao se renovar ao longo da vida, nunca menosprezou a beleza das dificuldades. Ao mesmo tempo em que se dedicava a escrever sobre as belezas das mulheres e suas doçuras, ele se mostrou fiel à busca da superação e ao crescimento que a vida nos dá.

Viver para ele não havia se tornado um peso, e sim, um desejo intenso.

Uma vez questionado sobre o medo da morte, ele deixou claro que o seu sentimento real era a saudade da vida. E se para ele "pra se fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza", a vida então precisa da alegria. Afinal, "é melhor ser alegre do que triste, alegria é a melhor coisa que existe".

E se tem algo que o seu poema "Dialética" nos ensinou é que por mais que a vida seja boa e a alegria fundamental, sem ignorar o amor e as coisas simples da vida, tudo bem você se sentir triste.

E, neste mês de outubro de 2013, quando estamos comemorando 100 anos de Vinicius de Moraes, que me perdoem os que preferem Chico Buarque ou Cartola, mas, para mim, Vinicius é a melhor representação da música e poesia brasileira.

E se o amor deve ser infinito enquanto dure, que Vinicius dure mais que o infinito.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Entrevista: Marcelo Tiradentes

Por Marcela Medeiros
celamedi@hotmail.com

Batemos um papo com o músico, Marcelo Tiradentes, prata da casa em Governador Valadares. Ele aos oito anos ganhou seu primeiro festival musical e com 34 anos de carreira nos contou um pouco sobre seus ideais musicais, suas referências, seu despertar para a música desde criança e a cena musical valadarense ontem e hoje.

FOCALIZE - Quando aconteceu o despertar para música em sua vida?

MT- Bem, eu penso que foi ainda no ventre, minha casa sempre foi musical, meu pai tocava e compunha, e sempre tinha rodas de seresta em minha casa. Mas a minha memória registra bem quando eu ainda era criança, talvez com três ou quatro anos de idade, eu adormecia no colo de minha mãe, ela sempre cantava nessas rodas de seresta e aquilo pra mim já era confortável, pois eu absorvia as canções com o ouvido colado no peito dela, era uma conexão direta, visceral, impregnou-se, fui privilegiado.

FOCALIZE - Quais são as suas raízes musicais?

MT- Samba, Choro, MPB, Rock e Música Mineira (Clube da Esquina).

FOCALIZE - Como você vê o cenário musical de 15, 20 anos atrás e a cena agora?

MT- Olha, vejo com algum saudosismo, não por conservadorismo ou caretice, mas por ter a certeza de que já fomos melhores, culturalmente dizendo, qualquer pessoa pensante vai entender o que quero dizer, quando eu digo isso não é que já tivemos artistas melhores, é que já tivemos uma nação mais pensante, porque os artistas bons existem em penca, só está faltando é sabedoria para contemplar isso. O sistema está criando uma geração adestrada, é a ditadura cultural, insiste em despejar o lixo cultural, como forma de diversão porque esse é lúdico, impede de pensar, e isso está ligado diretamente com a política mundial porque informação é poder, e tínhamos informação através da cultura de massa há 15, 20, 30 anos atrás.

FOCALIZE - Quais os principais nomes da música brasileira para você e os que mais te influenciam? 

MT- Eu poderia ocupar uma página citando nomes, mas pra dizer alguns, e com toda certeza que serei injusto, pois deixaria de citar muitos, vou começar com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Chico Buarque, João Bosco (não é o sertanejo hein gente, por favor!), Elis Regina, Cazuza, Cássia Eller, Herbert Vianna etc.

FOCALIZE - Em Valadares como era o cenário musical e como você vê hoje dentro da sua perspectiva e cultura musical?

MT- Não é diferente dos outros lugares, é tudo proporcional, tem um público respeitável, que adora música boa, porém em lugares grandes, tem bons espetáculos porque em proporção existem mais pessoas e garante o custo, e como estamos longe do eixo RJ/SP, o custo sobe, e o que não é de massa fica inviável, e com isso vamos amargurando ausência de bons espetáculos.

FOCALIZE - Acha que falta um incentivo cultural em Valadares?

MT - Que há falta de incentivo isso é certo, os motivos não são do meu conhecimento, não entrarei no mérito da questão, só lamento muito, pois cidades de menor população acontecem eventos culturais magníficos, temos uma concha acústica na praça dos pioneiros que está servindo de albergue ao léu, o maior exemplo de descaso cultural é o único teatro da cidade, abandonado, inviável, prejudicial à saúde, isso é uma vergonha.

FOCALIZE - Sente-se valorizado como músico em Valadares?

MT - Sou extremamente valorizado, não posso reclamar em nada da minha carreira como artista, tracei uma linha, ando firme por ela e não me rendo a modismos baratos, não admito conhecer o belo e sucumbir ao feio porque está na moda, moda pra mim é ser autêntico e ter bom gosto.

FOCALIZE - Suas expectativas em relação ao futuro musical em Valadares?

MT - Eu penso que não só em Valadares, mas em âmbito nacional esse genocídio cultural é muito nocivo, porque veja bem, eu conheço música boa, não só da minha geração, mas de gerações mais antigas porque me foi passada pelos meus pais e irmão mais velhos, aí eu temo pelo pior, e olha que não sou pessimista, sempre penso no melhor, mas o que essa geração atual passará para seus descendentes?


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

(CRÍTICA) Persépolis

Por Vanessa Fófano
vanessafoffano@gmail.com

Quando vi a sinopse do quadrinho me interessei na hora. Mais tarde alguém veio me dizer que não era assim tão interessante. Acreditei e deixei a vontade de comprá-lo de lado. Realmente não dá para se pautar pela opinião alheia, alguém sempre vai odiar o livro que você adora. Assim, depois de um longo tempo de curiosidade pela história de Persépolis finalmente comprei e o “devorei” em alguns dias.

Persépolis (publicado no Brasil pela Cia das Letras) é uma autobiografia em quadrinhos de Marjane Satrapi, uma mulher iraniana que narra seus dramas de quem se viu obrigada a usar o véu islâmico aos dez anos.Satrapiretrata sua infância até sua vida adulta no início do Irã durante e após a revolução islâmica. O título é uma referência à antiga capital do império persa, Persépolis.

Desenhado em preto e branco a autora consegue expressar a dramaticidade dos fatos que presenciou e viveu sem o uso das cores. Apesar do contexto a autora teve a sorte de nascer numa família moderna e politizada, o que não a poupou de presenciar guerra e morte.

O quadrinho tem enfoque especial na forma como as mulheres são tratadas no Irã. Há momentos marcantes, como o que conta como as mulheres da família passaram a usar o véu. A mãe de Marjane sai sozinha de carro e, quando o automóvel quebra, ela é abordada por vários homens, que ameaçam violentá-la por ela não estar usando o véu. Especialistas afirmavam que os cabelos das mulheres emitiam energias que excitavam os homens, de forma que eles não eram responsáveis caso decidissem executar o estupro.


Persépolis é a história de uma menina crescendo em meio à guerra, em busca de um tempo para sonhar mesmo rodeada pela tragédia. Questionadora e revolucionária em toda a sua trajetória, a autora nos faz refletir sobre o direito das mulheres, sobre como no Oriente Médio são privadas de escolhas e vistas apenas como esposas em potencial. A leitura de Persépolis é oportuna e atual enquanto houver mulheres lutando pelos seus direitos.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

(CRÔNICA) A rotina dos sem cultura

Agatha Brunelly
brunellyagatha@gmail.com

Sexta-feira, 6h. Ela acordava, por obrigação, é claro. Com os olhos ainda pregados desligava o despertador e sabia que teria que criar coragem para levantar da cama, para vencer o dia ou o dia vencê-la. Calçava o chinelo, ia ao modo zumbi pra cozinha. Uma, duas, três colheres de pó de café na cafeteira. Já sabe até de cor, ou melhor, de olhos fechados a medida da água, receita da tia, do interior de Minas Gerais. Liga na tomada o eletrodoméstico, aperta o botão vermelho. Caminha para o banheiro, logo no cômodo ao lado. Tudo na maior preguiça, mas com o tempo contado, porque preferiu dormir mais 10 minutos. Costume da irmã, ou talvez de brasileiro mesmo.

Tira o pijama de flanela, sente na pele um arrepio do vento frio batendo no corpo quente de quem ficou enrolada no edredom a madrugada inteira. Inverno mineiro é assim mesmo, madrugadas frias, tardes quentes. Corre para o banho como ela mesma diz “pelandiquenti” e o toma rápido, pois o pai a ensinou assim e o cheiro de café já invade as narinas, a condução passa daqui a pouco e mineiro não perde o trem. Foi assim que a ensinaram, na escola, na rua, na vida em Minas. Minutos depois põe o cardigã porque senão pega resfriado, ajeita o vestido e os óculos no rosto. Agora sim ela enxerga o mundo, sem os cinco graus de miopia, a herança dos pais. Passa ligeiramente a mão na bolsa e com a outra mão bebe uma caneca de café, bem quente, forte e quase sem açúcar, do jeito que só Minas Gerais sabe oferecer. Em meio à busca pelas chaves, come um pão de queijo.

Fica na estação, todos em pé, por obrigação, é claro, ou descaso do governo. Todos com os celulares nas mãos, tentando se isolar do mundo em volta e se aproximar dos contatos que estão há mil quilômetros de distância, por mania da nova geração, é óbvio. Ela repete a ação dos demais, por consequência, obrigação fantasiada de entretenimento. Quando o veículo aponta, alguém pelas escadas correndo grita ofegante para outra pessoa que aponta logo atrás: “correquioônsinvem!”. Ela entende a frase, provavelmente todos ali também, e no fundo do coração sente orgulho disso. 

No metrô, um rapaz escuta música sem fone de ouvido. “Se é que isso é música!”, esbraveja mentalmente. Vê uma moça grávida em pé, mas ninguém levanta. Segundos depois cede o lugar questionando a má educação do povo. Chega ao trabalho e comenta para o colega ao lado o episódio fatídico que viu logo de manhã. Reclama em suas próprias palavras sobre “a falta de cultura absurda dessa cidade”, e o colega se questiona até onde “esse povo” é capaz 18h. Volta pra casa, repete o processo do ônibus. Novamente alguém escuta música sem fone de ouvido. Chega à rua de casa, vê crianças brincando de futebol, com chinelos simulando as traves dos gols. Brincadeira que acontece seja no interior ou na capital, mas só em Minas Gerais, imagina. Abre a porta de casa, senta no sofá, liga a televisão e ali passa mais um daqueles noticiários. Dessa vez, a repórter mostra a situação de um museu importante na cidade após a ação de vândalos e ela, cansada e indignada com a “falta de cultura”, adormece acreditando, assim como diversos brasileiros, amigos, desconhecidos e até essa pessoa que está do seu lado, que cultura se resume a boa educação e gosto pessoal. Cansada, ela adormece ignorando o café, o inverno, a comida, o vocabulário, a mania de dormir mais 10 minutos e até o futebol de rua que Minas Gerais culturalmente sabe oferecer.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Voz, violão e alma

Por Maria Freitas
mariafreitassouza@hotmail.com

Com a voz, o violão, uma câmera e acesso à internet, Juh Batista mostra o talento que tem. Somando um total de 53 vídeos no youtube, ela emociona cantando composições próprias ou de outros artistas. Em entrevista ao blog Focalize, Juh Batista fala com maturidade daquilo o que faz desde sempre: cantar.



Imagens: Reprodução SBT/ Juh Batista/ Thaís Herculano e Maria Freitas
Áudio: Carlos Sombra
Edição: Maria Freitas

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

(CRÔNICA) Relato sobre uma velha máquina de costuras

Por Washington Bonifácio
washington23.silva@hotmail.com

A velha máquina ainda é usada para fazer tapetes (Foto: Washington Bonifácio)


Era agosto de 1920. O Brasil presidido por Arthur Bernardes. Tempos em que o progresso chegava à região em lombos de animais, a passos de tartaruga. A moeda quase não circulava e a forma mais conhecida de comercialização era a barganha. Nos mercados se trocava quase tudo.

A Singer, ano de 1920, foi comprada em
Peçanha  (Foto: Washington Bonifácio)
O povo vivia feliz, mas tinha uma coisa que entristecia: a morte por causa de uma febre desconhecida que fazia cair os cabelos e a expectativa de vida. Entre as dificuldades enfrentadas estavam o acesso à saúde, ao transporte e ao vestuário. Fazer roupas, então, era um desafio! Usava-se comprar o tecido e mandar confeccionar as peças que geralmente tinham os mesmos formatos.

No canto da mesa coberta por retalhos, a máquina da bisavó. As engrenagens rudimentares, feitas à base de ferro, não se desgastaram com o tempo. A velha máquina tocada à mão parece não ter se cansado do batente e ainda costura como se tivesse poucas horas de uso.

A Singer, ano 1920, foi comprada na cidade de Peçanha pelo meu bisavô. Nas camisas ainda faltavam bolsos. Sem poder terminar, minha bisavó teve que vender a vaca Maiada para pagar a máquina. Isso resolveria de vez os seus problemas com as costuras, já que ela pegava encomendas de fora para complementar a renda.

Almira, aos 85 anos, não costura com tanta
frequência (Foto: Washington Bonifácio)
A relíquia ficou de herança para a minha avó. Às vezes penso quantas camisas, bermudas e calças, já vi serem feitas pela máquina. O cuidado com ela é tão grande que mesmo adultos, não podemos nem tocar. Não se fabrica mais peças para esse modelo. Para evitar que ela se quebre, a “vó” faz somente tapetes.

Aos oitenta e cinco anos, Almira já não costura mais com frequência. Hoje ela prefere o crochê, diz que desenvolve a mente, mas, vez ou outra, pega a velha máquina e relembra os tempos em que trabalhava durante o dia e só sobrava a noite para fazer os bicos.

Os tempos de escassez se passaram e junto foi a juventude. A pele do rosto já não é tão rígida como antes. A saúde melhorou um pouco. O transporte ganhou motor. Tudo mudou. Somente a velha máquina de costuras continua ali, em cima da mesa, entre os retalhos. 

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Artes Marciais: Defesa pessoal e qualidade de vida

Por Marcello Araújo
marcelloaraujo.gv@gmail.com

As artes marciais, mais do que lutas, ensinam a ter disciplina, respeito e autocontrole, além de fortalecerem o corpo. Pessoas em geral, mas principalmente crianças que passaram a praticar algum tipo de arte marcial, apresentam maior autocontrole e disciplina, além de diminuir a agressividade. Traz também o benefício de ter uma maior qualidade de sono. 

A procura tem sido grande também por parte das mulheres. Engana-se quem pensa que elas querem apenas aprender a brigar e se defender. Estão à procura de qualidade de vida. As aulas/treinamentos têm alto gasto calórico, trazem melhor condicionamento físico, aliviam a tensão, melhoram a concentração, ajudam a ter mais disciplina, entre outros benefícios importantes para o bem estar e a saúde.

As artes marciais também são usadas para a defesa 
pessoal (Foto: Reprodução/Internet)
É importante lembrar que um treinamento adequado deve ser feito com instrutores para não forçar desnecessariamente, ou de maneira incorreta, articulações, músculos e tendões. Caso contrário, poderá causar sérios danos. É importante procurar por academias e instrutores que sejam filiados a uma Federação ou Associação reconhecida. Uma boa dica é pegar indicação de amigos que já praticam ou conhecem alguém.

A escolha da modalidade a ser feita também é importante. Para isso, basta ir às academias, conversar com os instrutores e assistir a diferentes treinamentos ou até mesmo participar por uma semana de cada arte, para facilitar na decisão em qual modalidade se matricular. As artes marciais são exercícios de alto impacto e devem ser praticadas, em alguns casos, com equipamentos apropriados, evitando lesões típicas do esporte.

A prática de atividades físicas, seja envolvendo as artes marciais ou não, é saudável e recomendada, portanto, deve ser levada com consciência. O aluno/atleta deve ser atencioso quanto aos cuidados preventivos nos treinos. Não só de equipamentos faz-se a prevenção; devem ser feitos exames cardiológicos e ortopédicos antes de iniciar as atividades, além de exames periódicos, acompanhamento e orientação de um profissional com formação adequada.