Por Vanessa Fófano
vanessafoffano@gmail.com
Quando vi a sinopse do quadrinho me interessei na hora. Mais
tarde alguém veio me dizer que não era assim tão interessante. Acreditei e
deixei a vontade de comprá-lo de lado. Realmente não dá para se pautar pela
opinião alheia, alguém sempre vai odiar o livro que você adora. Assim, depois
de um longo tempo de curiosidade pela história de Persépolis finalmente comprei
e o “devorei” em alguns dias.
Persépolis
(publicado no Brasil pela Cia das Letras) é uma autobiografia em quadrinhos de
Marjane Satrapi, uma mulher iraniana que narra seus dramas de quem se viu
obrigada a usar o véu islâmico aos dez anos.Satrapiretrata sua infância até sua vida adulta no
início do Irã durante e após a revolução islâmica. O título é uma referência à antiga
capital do império persa, Persépolis.
Desenhado
em preto e branco a autora consegue expressar a dramaticidade dos fatos que
presenciou e viveu sem o uso das cores. Apesar do contexto a autora teve a sorte
de nascer numa família moderna e politizada, o que não a poupou de presenciar
guerra e morte.
O
quadrinho tem enfoque especial na forma como as mulheres são tratadas no Irã.
Há momentos marcantes, como o que conta como as mulheres da família passaram a
usar o véu. A mãe de Marjane sai sozinha de carro e, quando o automóvel quebra,
ela é abordada por vários homens, que ameaçam violentá-la por ela não estar
usando o véu. Especialistas afirmavam que os cabelos das mulheres emitiam
energias que excitavam os homens, de forma que eles não eram responsáveis caso
decidissem executar o estupro.
Persépolis
é a história de uma menina crescendo em meio à guerra, em busca de um tempo
para sonhar mesmo rodeada pela tragédia. Questionadora e revolucionária em toda
a sua trajetória, a autora nos faz refletir sobre o direito das mulheres, sobre
como no Oriente Médio são privadas de escolhas e vistas apenas como esposas em
potencial. A leitura de Persépolis é oportuna e atual enquanto houver mulheres
lutando pelos seus direitos.


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