segunda-feira, 30 de setembro de 2013

(CRÍTICA) Persépolis

Por Vanessa Fófano
vanessafoffano@gmail.com

Quando vi a sinopse do quadrinho me interessei na hora. Mais tarde alguém veio me dizer que não era assim tão interessante. Acreditei e deixei a vontade de comprá-lo de lado. Realmente não dá para se pautar pela opinião alheia, alguém sempre vai odiar o livro que você adora. Assim, depois de um longo tempo de curiosidade pela história de Persépolis finalmente comprei e o “devorei” em alguns dias.

Persépolis (publicado no Brasil pela Cia das Letras) é uma autobiografia em quadrinhos de Marjane Satrapi, uma mulher iraniana que narra seus dramas de quem se viu obrigada a usar o véu islâmico aos dez anos.Satrapiretrata sua infância até sua vida adulta no início do Irã durante e após a revolução islâmica. O título é uma referência à antiga capital do império persa, Persépolis.

Desenhado em preto e branco a autora consegue expressar a dramaticidade dos fatos que presenciou e viveu sem o uso das cores. Apesar do contexto a autora teve a sorte de nascer numa família moderna e politizada, o que não a poupou de presenciar guerra e morte.

O quadrinho tem enfoque especial na forma como as mulheres são tratadas no Irã. Há momentos marcantes, como o que conta como as mulheres da família passaram a usar o véu. A mãe de Marjane sai sozinha de carro e, quando o automóvel quebra, ela é abordada por vários homens, que ameaçam violentá-la por ela não estar usando o véu. Especialistas afirmavam que os cabelos das mulheres emitiam energias que excitavam os homens, de forma que eles não eram responsáveis caso decidissem executar o estupro.


Persépolis é a história de uma menina crescendo em meio à guerra, em busca de um tempo para sonhar mesmo rodeada pela tragédia. Questionadora e revolucionária em toda a sua trajetória, a autora nos faz refletir sobre o direito das mulheres, sobre como no Oriente Médio são privadas de escolhas e vistas apenas como esposas em potencial. A leitura de Persépolis é oportuna e atual enquanto houver mulheres lutando pelos seus direitos.


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