Por Maria Freitas
mariafreitassouza@hotmail.com
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Estudante em fim de mês é
a mesma coisa que um fantasma vagando pelo mundo. “Capitalisticamente” falando,
é um ser invisível, inexistente, no mínimo irrelevante, sem importância,
ignorado. Todas essas coisas insignificantes que começam com ‘i’.
A
falta de dinheiro te tira as festas, o barzinho, as resenhas e, conseqüentemente,
os amigos “verdadeiros”. Ou seja, tira a sua dignidade como universitário. Te
transforma em um contador de moedas. Faz ‘o xerox nosso de cada dia’ parecer
feito de ouro. Aquelas folhinhas passam a ser o único tesouro que você
acumulará até a próxima limpeza que sua mãe faz no quarto quando vem te
visitar.
A
falta de dinheiro faz seu estômago desejar por um torresmo, só um torresmo do
feijão tropeiro do colega, do desconhecido sentado ao lado. Ninguém te vê,
ninguém te escuta, ninguém se oferece para bancar o fim de semana, o arroz, a
carne, a cerveja ou, nem mesmo, a cachaça barata do bar do Sô Zé.
Universitário
em fim de mês, simplesmente, não vive: não come, só dorme, não bebe, só estuda,
não anda de ônibus, só a pé, ou de bicicleta, ou de carona quando aquele colega
legal passa na rua no momento em que você está procurando moedas no chão do
ponto de ônibus. E o colega, coitado, coloca até corda para tentar, em vão, segurar
o ponteiro da gasolina, que só faz cair.
O
jeito sempre é esperar. Um dia o mês acaba, a conta enche e a dignidade
universitária volta. Até o dia 10, pelo menos!

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