segunda-feira, 30 de setembro de 2013

(CRÔNICA) Sem dinheiro pro café

Por Maria Freitas
mariafreitassouza@hotmail.com

Estudante em fim de mês é a mesma coisa que um fantasma vagando pelo mundo. “Capitalisticamente” falando, é um ser invisível, inexistente, no mínimo irrelevante, sem importância, ignorado. Todas essas coisas insignificantes que começam com ‘i’.

A falta de dinheiro te tira as festas, o barzinho, as resenhas e, conseqüentemente, os amigos “verdadeiros”. Ou seja, tira a sua dignidade como universitário. Te transforma em um contador de moedas. Faz ‘o xerox nosso de cada dia’ parecer feito de ouro. Aquelas folhinhas passam a ser o único tesouro que você acumulará até a próxima limpeza que sua mãe faz no quarto quando vem te visitar.

A falta de dinheiro faz seu estômago desejar por um torresmo, só um torresmo do feijão tropeiro do colega, do desconhecido sentado ao lado. Ninguém te vê, ninguém te escuta, ninguém se oferece para bancar o fim de semana, o arroz, a carne, a cerveja ou, nem mesmo, a cachaça barata do bar do Sô Zé.

Universitário em fim de mês, simplesmente, não vive: não come, só dorme, não bebe, só estuda, não anda de ônibus, só a pé, ou de bicicleta, ou de carona quando aquele colega legal passa na rua no momento em que você está procurando moedas no chão do ponto de ônibus. E o colega, coitado, coloca até corda para tentar, em vão, segurar o ponteiro da gasolina, que só faz cair.


O jeito sempre é esperar. Um dia o mês acaba, a conta enche e a dignidade universitária volta. Até o dia 10, pelo menos!

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